segunda-feira, 3 de maio de 2010

Um Ano Após as Enchentes de Granja, o Que Lembrar?

Um Ano Após as Enchentes de Granja, o Que Lembrar?

Av. Beira Rio - Granja-CE

Uma chuva que se iniciou por volta das 14hs e só cessou às 23hs de um sábado, é motivo para ser esquecida por boa parte dos granjenses que viram as águas do Rio Coreaú transbordarem e inundarem suas casa no dia 02 de maio de 2009. A enchente deixou mais de 5 mil famílias desabrigadas ao longo das margens do rio Coreaú e também dentro da zona urbana da cidade de Granja. A cheia teve seu ápice no dia 04 de maio, quando o volume d'água aumentou bastante até alcançar e cobrir parte da (ainda não inaugurada) CE-085 Granja-Parazinho.

CE-085 após a primeira curva (sentido: Granja-Parazinho)

Um ano após esse triste episódio, resta-nos ainda várias perguntas sobre o assunto. Dentre os quais: O que foi aprendido com a natureza? Como anda a vida das famílias atingidas? Será que os ribeirinhos foram retirados das zonas de risco? Construções históricas ainda correm perigo de desabar? Há possibilidade de outra vez ocorrer um desastre desses? E o granjense, o que imagina disso tudo?

A Ponte Metálica agora está ilhada.

O fato é que dificilmente será esquecido por quem viveu esse problema. Mas e quem apenas assitiu? Teria aprendido algo também?

A Agência dos Correios de Granja está em área de risco

Uma antiga casa próximo do Fórum não resistiu as infiltrações e ruiu.

Algumas escolas estão servindo de alojamento as vítima da enchente

Várias campanhas foram montadas em prol de uma amenização dos problemas. Mostra que a população cearense se consentiu com o momento. A solidariedade talvez foi a prova maior de que não há espaço para jogos e richas políticas em momentos de crise. Apesar dos pesares, apesar de todos os problemas, uma granja que parecia dividida há 7 meses atrás nesse dia tristonho esteve unida. Claro que há excessões. Pessoas que sem o mínimo de pudor se mantinham inertes a situação, sem moverem uma palha e chegando a expor algumas famílias à vergonha pública em câmeras digitais.

Escolas foram sendo usadas como alojamento e com isso houve a precipitação das férias escolares o que antecipou o intervalo do ano letivo. Mas nada foi tão educativo quanto a cidadania e solidariedade prestada.

Moradias afetadas foram reconstruídas enquanto outros desabrigados, por não terem outro lugar, utilizavam as escolas a espera do recuo das águas para voltarem e recomeçarem do zero.

O granjense não desistiu enquanto houve fé, esperança e (sobretudo) vontade. Esse é o verdadeiro espírito do povo nordestino: valente, lutador, crente de que a felicidade não depende de castelos nem baus cheios de riquezas. Mas que milagres acontecem de coisas simples que fazemos e recebemos um dos outros e a felicidade é um deles. Assim como podemos acreditar em uma Granja unida como foi nesse período de tribulações.

por FAGNER CRUZ VASCONCELOS

Fotos: Arquivo

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