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| Foto: Reuters |
"Caças sobrevoam Aleppo e mísseis são lançados contra prédios de família. Não sou a favor de nenhuma parte", relata o brasileiro. "Não dá para dormir hoje. Tem muita bomba". A frase do fotógrafo brasileiro Gabriel Chaim sintetiza a realidade de um país que se transformou num barril de pólvora.
Eram 2h na cidade síria de Aleppo, e a entrevista foi interrompida pelo som de bombardeio. "Você ouviu isso?", perguntou o fotógrafo, com voz tranquila, de quem parecia já familiarizado com o barulho de mísseis, balas e caças cortando o ar.
Ele não lembra ao certo quando chegou à Síria, se foi no dia 1º ou em 2 de setembro. Mas a travessia da fronteira pela Turquia está fresca na memória.
"Um homem carimbou meu passaporte e me desejou boa sorte, rindo, como se eu estivesse fazendo uma loucura", relatou.
Louco também foi o adjetivo que a família de Chaim usou quando ele decidiu vender o carro e viajar para registrar a vida em campos de refugiados no Oriente Médio. Em São Paulo, ficaram a mulher e a filha de 4 anos, enquanto o fotógrafo entrava num país onde o maior movimento é de saída. São cerca de sete milhões de refugiados.
Na sede da ONG onde mora, Chaim é o único estrangeiro. Divide o quarto com cerca de dez pessoas numa casa semidestruída na área que é controlada pelos rebeldes.
"Não vim fotografar a morte, vim fotografar a esperança", conta o brasileiro. Foi numa madrugada insone que o paraense, de 31 anos, conversou com a Agência O Globo pelo Skype.
Após o recuo da invasão por parte dos EUA que entrou em acordo com a Rússia, Damasco terá que apresentar uma lista com seu arsenal no prazo de uma semana.
via G1

