A paixão do brasileiro pelo chocolate e outros derivados do fruto do cacaueiro pode ter uma explicação nas origens do cultivo do vegetal, bem mais próximas do nosso território. É que um estudo franco-equatoriano sugere que a cultura do cacau começou na Amazônia e não na América Central, como se acreditava anteriormente.
A pesquisa apontou que no sudeste do Equador, havia uma grande cultura do produto há cerca de 5.500 anos, quase 2.500 anos antes das evidências mais antigas encontradas em sítios arqueológicos relacionados ao povo Olmeca, que viveu entre Guatemala, Honduras Nicarágua e México. O grupo encontrou evidências químicas e físicas de cacau da variedade “fino de aroma”, nos vestígios de recipientes encontrados na província de Zamora Chinchipe, na Amazônia equatoriana.
Francisco Valdez, que dirige a missão de pesquisa na jazida Santa Ana-La Florida que o cacau foi criado na alta Amazônia e de lá, de alguma forma, foi levado à América Central. “Na realidade, o cacau não é original dessa região, da América Central, como pensavámos até agora, pois se presume que, inclusive, há 7 mil anos ele já existia na bacia alta da Amazônia. Seu uso social foi iniciado cerca de 1.500 anos mais tarde, segundo as provas de carbono 14 em que foram submetidos os vestígios encontrados na cultura Mayo-Chinchipe-Marañón, que aparentemente se estendeu pela floresta peruana.
Para ele, a descoberta arqueológica poderia transformar a história americana como a mesma é conhecida atualmente. Segundo suas pesquisas, a cultura Mayo-Chinchipe-Marañón teve uma organização sofisticada e, aparentemente, teve relação com culturas dos Andes e da costa do Equador. O achado de conchas marinhas na floresta dá conta da relação entre os povos amazônicos com os do litoral, com os quais, seguramente, trocavam produtos de cada região.
Além de outros vegetais, como a mandioca, os amazônicos também levavam cacau para o litoral, onde também floresceu a cultura Valdivia, uma das mais antigas da América do Sul e que habitou a zona tropical do Equador há cerca de 6 mil anos. Segundo Valdez, esta e outras descobertas arqueológicas poderiam contrariar a história antiga, sobretudo a visão de que “a Amazônia era selvagem e que a floresta impedia o desenvolvimento de cultivos”.
com informações do Portal Terra

