Merenda Escolar tem Produtos da Economia Local
No município de Novo Oriente, todos os dias na hora do recreio a fila na cantina é enorme, movimentada, barulhenta. Essa cena é natural em todas as escolas. Mas nas escolas deste Município, nos dias em que o cardápio é mugunzá ou bolinho de milho, a hora da merenda vira uma verdadeira algazarra, ao ponto das professoras terem que organizar de perto. "O mugunzá é a preferência deles, não tem jeito para ficarem quietos na fila e repetem o prato", diz a merendeira Maria José, da Escola Municipal Eufrasino Neto, na sede do município. A diretora da escola, Lourdirene Melo, ressalta que "é importante valorizar os produtos da terra" e que misturam ao mugunzá carne de sol e linguiça calabresa e "ninguém resiste".
A estudante Danny Kélia, de 10 anos, diz que fica torcendo para chegar logo o dia do mugunzá e do bolinho de milho, "porque acho muito gostoso, se as tias deixarem repito várias vezes". Willian do Nascimento, de 12 anos, estudante do quinto ano, fala ainda de boca cheia: "prefiro o bolo de milho com a vitamina de frutas".
A alegria não é somente por parte da classe estudantil. Agricultores do município também fazem festa. É que o milho canjicado para fazer o desejado mugunzá municipal e o fubá para fazer os gostosos bolinhos fritos dos alunos da rede municipal é adquirido deles, dos agricultores que são organizados na Cooperativa Agropecuária dos Pequenos e Médios Produtores de Novo Oriente (Coopenol). Reginaldo Paulino, agricultor da localidade de Campestre, não tem dúvidas: "Faz muita diferença fazer parte da Cooperativa, porque tenho venda certa e a saca de milho sai a R$ 32,00, enquanto que no mercado estamos vendendo a R$ 27,00", diz. "Além disso, estamos trabalhando para nós", continua. Ele, que também faz parte da diretoria da Cooperativa faz questão de destacar que a Coopenol "é uma das mais conhecidas e organizadas do Estado".
Venda certa
Dezessete pequenos produtores participam do projeto, comercializando o milho que produz para a Cooperativa. Cada um tem venda certa de 13 sacas de 60kg por mês, recebendo R$ 416,00 pela venda. Cerca de 20% de tudo que é comercializado fica na Cooperativa, destinado para as despesas de manutenção, como energia, água, limpeza, taxas em geral, transporte de produtos e para pagar os três agricultores que são funcionários, fazendo o trabalho de beneficiamento do milho.
Crescimento
A Cooperativa foi fundada em 1994. No início, as dificuldades foram muitas. As primeiras atividades se restringiam à venda de milho e feijão. Com o apoio de órgãos e instituições que atuam na área na região, as ações evoluíram e a partir de 2008 os resultados foram aparecendo. Hoje tem um total de 32 cooperados, todos agricultores familiares. Por meio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), foi construído o galpão, que utilizam em sistema de comodato por dez anos junto à Prefeitura Municipal, e adquiridas as máquinas de beneficiamento, que era a meta da Cooperativa. Desde o ano passado, passaram a ser fornecedores do milho beneficiado, que se transforma em merenda escolar para a Secretaria de Educação do Município, ação que vem contribuindo para o crescimento da Cooperativa.
Por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a Cooperativa repassa os derivados de milho para a Secretaria, que distribui em 19 escolas do município, beneficiando 6 mil alunos. Cada entrega mensal fica em torno de dez mil quilos. Em valores mensais se transformam em uma renda de R$ 10 mil para a Cooperativa. A presidente da Coopenol, Maria Luiza de Macedo, mostra-se otimista. "É um grande avanço para nós, pois tinha muita gente que não acreditava e hoje está vendo que estamos em frente", comemora. E fala dos planos de expansão da Cooperativa: "Pretendemos, em médio prazo, passar a comercializar os nossos produtos para outros municípios aqui da região". Menciona que já fazem beneficiamento de três mil quilos de milho para a Prefeitura de Tauá, mensalmente.
Outra renda que a Cooperativa tem é referente à venda da protenose, conhecida como ração animal, que nada mais é do que a pele que cobre o milho. É a sobra do beneficiamento.
Depois que o produto é limpo, pelado, resta este material que é, segundo o agricultor Reginaldo, "forte e serve para alimentar todos os animais". Os cooperados descobrem novas utilidades para a matéria-prima processada na fábrica.
postado por FAGNER CRUZ
FONTE: DN
