segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Modelo em Novo Oriente Alia Produtos da Agricultura Local na Merenda Escolar

Merenda Escolar tem Produtos da Economia Local



No município de Novo Oriente, todos os dias na hora do recreio a fila na cantina é enorme, movimentada, barulhenta. Essa cena é natural em todas as escolas. Mas nas escolas deste Município, nos dias em que o cardápio é mugunzá ou bolinho de milho, a hora da merenda vira uma verdadeira algazarra, ao ponto das professoras terem que organizar de perto. "O mugunzá é a preferência deles, não tem jeito para ficarem quietos na fila e repetem o prato", diz a merendeira Maria José, da Escola Municipal Eufrasino Neto, na sede do município. A diretora da escola, Lourdirene Melo, ressalta que "é importante valorizar os produtos da terra" e que misturam ao mugunzá carne de sol e linguiça calabresa e "ninguém resiste".


A estudante Danny Kélia, de 10 anos, diz que fica torcendo para chegar logo o dia do mugunzá e do bolinho de milho, "porque acho muito gostoso, se as tias deixarem repito várias vezes". Willian do Nascimento, de 12 anos, estudante do quinto ano, fala ainda de boca cheia: "prefiro o bolo de milho com a vitamina de frutas".


A alegria não é somente por parte da classe estudantil. Agricultores do município também fazem festa. É que o milho canjicado para fazer o desejado mugunzá municipal e o fubá para fazer os gostosos bolinhos fritos dos alunos da rede municipal é adquirido deles, dos agricultores que são organizados na Cooperativa Agropecuária dos Pequenos e Médios Produtores de Novo Oriente (Coopenol). Reginaldo Paulino, agricultor da localidade de Campestre, não tem dúvidas: "Faz muita diferença fazer parte da Cooperativa, porque tenho venda certa e a saca de milho sai a R$ 32,00, enquanto que no mercado estamos vendendo a R$ 27,00", diz. "Além disso, estamos trabalhando para nós", continua. Ele, que também faz parte da diretoria da Cooperativa faz questão de destacar que a Coopenol "é uma das mais conhecidas e organizadas do Estado".


Venda certa


Dezessete pequenos produtores participam do projeto, comercializando o milho que produz para a Cooperativa. Cada um tem venda certa de 13 sacas de 60kg por mês, recebendo R$ 416,00 pela venda. Cerca de 20% de tudo que é comercializado fica na Cooperativa, destinado para as despesas de manutenção, como energia, água, limpeza, taxas em geral, transporte de produtos e para pagar os três agricultores que são funcionários, fazendo o trabalho de beneficiamento do milho.


Crescimento


A Cooperativa foi fundada em 1994. No início, as dificuldades foram muitas. As primeiras atividades se restringiam à venda de milho e feijão. Com o apoio de órgãos e instituições que atuam na área na região, as ações evoluíram e a partir de 2008 os resultados foram aparecendo. Hoje tem um total de 32 cooperados, todos agricultores familiares. Por meio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), foi construído o galpão, que utilizam em sistema de comodato por dez anos junto à Prefeitura Municipal, e adquiridas as máquinas de beneficiamento, que era a meta da Cooperativa. Desde o ano passado, passaram a ser fornecedores do milho beneficiado, que se transforma em merenda escolar para a Secretaria de Educação do Município, ação que vem contribuindo para o crescimento da Cooperativa.


Por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a Cooperativa repassa os derivados de milho para a Secretaria, que distribui em 19 escolas do município, beneficiando 6 mil alunos. Cada entrega mensal fica em torno de dez mil quilos. Em valores mensais se transformam em uma renda de R$ 10 mil para a Cooperativa. A presidente da Coopenol, Maria Luiza de Macedo, mostra-se otimista. "É um grande avanço para nós, pois tinha muita gente que não acreditava e hoje está vendo que estamos em frente", comemora. E fala dos planos de expansão da Cooperativa: "Pretendemos, em médio prazo, passar a comercializar os nossos produtos para outros municípios aqui da região". Menciona que já fazem beneficiamento de três mil quilos de milho para a Prefeitura de Tauá, mensalmente.


Outra renda que a Cooperativa tem é referente à venda da protenose, conhecida como ração animal, que nada mais é do que a pele que cobre o milho. É a sobra do beneficiamento.


Depois que o produto é limpo, pelado, resta este material que é, segundo o agricultor Reginaldo, "forte e serve para alimentar todos os animais". Os cooperados descobrem novas utilidades para a matéria-prima processada na fábrica.


postado por FAGNER CRUZ

FONTE: DN
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